Por Adriano Silva

Se em grande parte a responsabilidade por estar motivado é do próprio sujeito, como advogo, também é verdade que sempre caberá ao gestor papel importante na taxa de motivação do seu time. E aí tem uma reflexão aqui que pode ajudar a pensar uma coisa ou duas a respeito desse assunto.
Motivação tem a ver com estímulo. Com ações que entusiasmam, com um ambiente que ao mesmo tempo acolhe e provoca, com metas da empresa que se irmanam com as metas pessoais do sujeito, com premiação agressiva ao êxito obtido. Motivação tem a ver com a gestão disso tudo, com o relacionamento que o chefe propõe a seu colaborador, com o jeito certo de cobrar resultados. A cobrança exercida corretamente engancha, energiza, empurra adiante. A cobrança mal exercida murcha, esvazia, joga para baixo. Se você cobra muito, desestimula o sujeito. Se você não cobra, desestimula também. As pessoas não gostam de se sentir espremidas, sufocadas. Mas também não gostam de se sentir soltas demais. (Alguém aqui disse que a gestão de gente é bolinho?)
Tem o chefe que não reconhece o sucesso. Que não dá parabéns, nem tapinha nas costas, muito menos aumento ou promoção. Isso anestesia o sujeito. Isso torna o funcionário cético, num primeiro momento. Para logo depois torná-lo cínico. Há ambientes em que a pressão beira o insuportável. Em que a cultura é deliberadamente bater e chicotear, chicotear e bater. Assoprões são raríssimos. Esses lugares que proibem o elogio, em nome de manter a tensão produtiva, precisamente como uma ferramenta de motivação, acabam, ao contrário, sendo altamente desmotivadores. Primeiro: matam o longo prazo, porque ninguém de mente sã aguenta muito tempo. Depois: anestesiam quem fica.
Se vendedores cobrados de menos amolecem e deixam cair a petecar, por encontrarem muito prematuramente uma zona de conforto e paralisia, é fato que vendedores cobrados em excesso, por exemplo, desenvolvem um filtro em relação às cobranças. Esse filtro fica mais espesso na medida exata dos safanões e vergões que o sujeito vai colecionando em seu dia-a-dia. Uma hora, como estratégia de sobrevivência, as pessoas simplesmente deixa de ouvir. E se unem subterraneamente contra o agressor, num pacto silencioso de ajuda mútua no corredor da tortura. Assim, se protegem e apostam na maior distância possível entre si e a empresa. Não levam mais a sério os discursos inflamados, os objetivos coletivos, os gritos de guerra. Simplesmente deixam de acreditar. O que é péssimo. Ou pior, se existisse algo pior do que péssimo.
Fonte: http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo/listar1.shtml (Blog Manual do Executivo Ingênuo)

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